Com 35 anos, nascido em São Paulo, Pascale é casado com a publicitária Elenir Alves e pai de Hector Alves Pascale. Crítico de cinema e ativista cultural. Além de autor de romances como "Encruzilhada" (Editora Literata) e "O Desejo de Lilith" (Editora Draco), do áudiolivro "Cinema: Despertando seu olhar crítico" (Universidade Falada) e organizador de mais de 9 coletâneas – como "Draculea: O livro secreto dos vampiros", "Invasão" e "Metamorfose: A Fúria dos Lobisomens". Assim como a Revista, Ademir está concorrendo ao prêmio criado por Roberto Laaf, Codex de Ouro. Ele, como Autor Revelação 2011.
Revista Innovative Como surgiu a idéia do projeto para incentivar às editoras e aos autores?
Ademir Pascale Simplesmente olhando o calendário e agregando a necessidade em expor as obras nacionais para os leitores. O governo não incentiva autores, editoras ou leitores. A grande mídia, como revistas conhecidas, emissoras de rádio e TV, muito menos. É raro uma delas mencionar um autor ou livro. O que vejo de vez em quando são alguns Busdoors, que são mídias em adesivos de vinil em ônibus. Mesmo assim são propagandas de livros de autores internacionais. Na TV, o único apresentador que vejo dando uma força aos autores nacionais é o Jô Soares. Muitos dos meus amigos escritores já foram entrevistados por ele. A única coisa ruim é que o programa é muito tarde e quem trabalha e acorda cedo, não consegue assistir…
RI Pode-se dizer que o objetivo por detrás do projeto seria diminuir o preconceito existente com a literatura brasileira?
AP Também. Conheço autores brasileiros que usam pseudônimos estrangeiros apenas para chamar mais a atenção dos leitores. É estranho, por que John faz mais sucesso que João e Peter mais do que Pedro? É preciso, sim, mudar este conceito. Certa vez um editor queria colocar na capa de um livro que organizei apenas “A. Pascale”. Não aceitei, pois o meu nome é Ademir e é assim que deve ser usado.
RI Como foi a resposta desse projeto? Muitos livros foram comprados e dados à amigos (já que dia 20 de julho é considerado dia do amigo)?
AP Não sei bem ao certo, pois cada pessoa interessada entrou em contato diretamente com o autor, mas o projeto teve muita repercussão e fiquei sabendo que muitos venderam :)
RI Numa entrevista feita este ano para o site Gore Boulevard, você fala que o interesse pela escrita e pelo cinema vem desde que era criança e que seu pai contava histórias sobre seres normalmente aterrorizantes. Acredita que isso foi fundamental para que você desenvolvesse um tipo de "paixão" por esse gênero e se dedicasse à escrita dele?
AP Sim. Os pais influenciam muito o filho. Então se você deseja que o seu filho tenha o hábito da leitura, compre livros e hqs para ele e visite bibliotecas e livrarias pelo menos uma vez por semana.
RI Em outra entrevista, desta vez para o site "Escrituras da Lua Cheia", você fala sobre lobisomens serem seres naturalmente aterrorizantes, ao contrário de vampiros que possuem um lado mais sensual e charmoso por assim dizer. Diz, também, que é possível – apesar de não ter sido feito com uma comparação compatível – transformar o lobisomem num ser tão sensual e charmoso quanto vampiros. Acredita que você seria o escritor a mudar esse rótulo e "sensualizar" os homens-lobos?
AP Não. Embora eu também escreva histórias sobre lobisomens, não seria eu que mudaria esse rótulo. Conheço bons escritores que adoram o tema lobisomem que até poderiam mudar isso, como o Alfer Medeiros e o André Bozzetto Junior.
RI Você também gosta muito de filmes. Algum deles excepcionalmente te inspirou para escrever algum de seus livros ou contos?
AP Excepcionalmente, não. Posso dizer que meu aprendizado de vida, pois a vida é uma escola, minha vivência nas ruas de São Paulo desde os meus treze anos, quando comecei a trabalhar de Office boy, minhas leituras e os muitos filmes que assisto, inspiram, sim, minhas histórias.
RI No ano de 2007, você criou o site "Divulga Livros" e chegou a dizer em uma entrevista feita no início deste ano que a experiência estava sendo enriquecedora. Como jovens escritores podem se envolver no projeto? Há idade mínima ou algum tipo de restrição?
AP Não, qualquer pessoa com uma ideia na cabeça e uma boa redação, pode participar. E quando digo boa, não é excepcional, pois o escritor vai aprendendo apenas com o tempo.
RI Sendo autocrítico, como se deu a escrita de seus livros? Você mesmo os relia e mudava o que julgava necessário ou dava para alguém ler e opinar?
AP Sempre releio o que escrevo, três, quatro, cinco vezes, mesmo assim ainda envio para um leitor beta.
RI Como escritor, qual o diferencial que achamos em seus livros e personagens? Pode-se dizer que todos os livros possuem um ponto em comum?
AP Meus protagonistas são pessoas comuns, com problemas amorosos, financeiros e familiares. O ponto em comum é que sempre tem algo de sobrenatural na trama, além da mensagem de superação que sempre deixo no final, isso quando a personagem não morre…(rs)
RI Existe algum outro projeto em mente? Tanto para livro, quanto para promover a literatura brasileira.
AP Sim, muitos. Como disse numa outra entrevista, falta tempo para colocar em prática meus projetos, pois ainda não consigo sobreviver de literatura, então tenho que trabalhar prestando serviços para a prefeitura de São Paulo ministrando aulas de informática 44 horas por semana de segunda à sábado. Geralmente chego morto em casa e ainda tenho que ajudar minha esposa nos afazeres domésticos, ajudar a cuidar do meu filho e trabalhar em meus livros. Dificilmente consigo dormir mais de cinco horas por dia, isso é muito raro. Então procuro algo em que eu possa conciliar com a literatura, como trabalho numa editora ou mesmo o apoio ou patrocínio de alguma empresa.
E para quem quiser conhecer mais sobre o meu trabalho, acesse: odesejodelilith.blogspot.com e/ou twitter.com/ademirpascale. Forte abraço,



Olá… Acompanho o empenho do colega escritor Ademir, e concordo em gênero e numero o que fala sobre valorizar o escritor brasileiro… é só a iniciativas como as que ele realiza, que novos autores podem mostrar seus trabalhos… Terá sempre meu apoio como escritor e divulgador em seus projetos… Agora um pergunta, como sugetão para entrevista a esse blog… Gostaria que vocêes fizem a pergunta para os grandes escritores que estão na mídia, de o porque eles não apoiam inciativas como as criadoas por Ademir Pacale, na divulgação de novos autores… Por que o "sucesso", os tornou diferentes e só repeitam seus leitores e não tomam conhecimento e nem citam os novos autores do mercado em suas entrevistas?… Os grandes autores, mais do que ninguém já passaram pelo que os autores iniciantes estão passando… Será que sucesso é sinônimo de ostracismo?… Obrigado e um grande abraço.