Leila Rego nasceu em junho de 1974 no Paraná. Mudou-se, aos quatro anos, para Alta Floresta – Mato Grosso, onde não havia sequer energia elétrica. Os primeiros anos de estudo foram numa escola rural da região; numa mesma sala a aula era dada para alunos de séries diferentes.
O desejo de viajar e conhecer outras culturas foi determinante para que optasse pela faculdade de Turismo. Ao mudar-se para São Paulo, em 2000, abriu oportunidades em empresas privadas, onde trabalhou por diversos anos na área de Recursos Humanos.
Escritora de um sucesso de literatura chick-lit, Pobre Não Tem Sorte, ela aceitou dar uma entrevista para a Revista Innovative!

Revista Innovative Conte-nos um pouco sobre a “Novas Letras”. Basta ser escritor para poder fazer parte? Qual é o caminho? O objetivo deste projeto? Enfim, explique um pouco sobre ele.
Leila Rego Observando os sites e blogs literários, em que as pessoas trocam informações sobre a leitura de livros, e que são cada vez mais frequentes no Brasil, nós começamos a nos questionar. O ponto contraditório é que nem sempre os livros brasileiros estão entre os desejados.
Primeiro nasceu o movimento Desafio Literário Nacional, que começou no Twitter e se estendeu para as demais redes sociais, com a meta de divulgar os livros da nova safra de escritores nacionais. Pegando carona nessa idéia, assim, surgiu o projeto Novas Letras, formado por jovens escritores que têm como objetivo mostrar o potencial da literatura brasileira para editoras, livrarias e leitores.
RI Você veio para o Clube do Livro especial sobre Chick Lit no Rio de Janeiro, falou um pouco da história que o seu livro conta e sobre literatura em geral. O que achou da iniciativa e desse contato mais direto com leitores fora de São Paulo?
LR Eu adorei estar no Rio. Apesar de ser, de certa forma, tímida, eu gosto deste contato. Nesses eventos posso sentir o retorno dos leitores. É sempre bom falar de livros, trocar ideias, contar as novidades…
Ano que vem, em março, eu volto ao Rio para lançar meu segundo livro, Pobre Não Tem Sorte 2 – alguma coisa acontece no meu coração.
RI No perfil do seu site sabemos que veio de uma cidade de interior, onde “não havia sequer energia elétrica” e isso acabou motivando muito sua leitura desde pequena. Acredita ter desenvolvido esse hábito tão cedo foi essencial para que lançasse um livro?
LR Nunca parei para pensar se foi por essa razão. Sou uma leitora compulsiva desde sempre. Porém, nunca tive o sonho de me tornar escritora. Descobri minha vocação por outros meios.
RI Tornar-se, de fato, escritora mudou muito a sua vida?
LR Mudou no sentido de “Pronto! Descobri o que eu gosto de fazer e vou fazer disto a minha profissão”. Antes eu trabalhava por dinheiro e não por prazer, por amor. E quando trabalhamos por amor a nossa vida muda pra melhor.
RI Antes de escrever “Pobre Não Tem Sorte”, você já lia livros do estilo Chick-Lit. O que te motivou a escrever – e lançar, de forma independente – um livro deste estilo?
LR Quem me motivou foi meu marido. Quando escrevi PNTS eu não pensei em lançar. Pensei em dizer para minha família que eu plantei muitas árvores, tenho dois filhos e escrevi um livro! =)
Mas meu marido adorou a história, minha narrativa, deu o livro para vários amigos lerem e me incentivou a publicar.
E o Chick-Lit veio de forma natural. Acho que por gostar tanto do estilo e por não ser dramática.
RI Geralmente escritores têm alguém que acompanha a “construção” do livro, você também teve quem lesse a história enquanto a escrevia e opinasse sobre ela? Quem foi?
LR Sim, meu marido. Companheiro de todas as empreitadas.
RI Seus personagens foram criados pensando em pessoas em especial ou vieram apenas de sua imaginação?
LR Os personagens surgiram sem muito esforço. Mariana foi inspirada em várias “Marianas” que conheci, vi, ou tive breve contato. Edu foi criado para encher os olhos das leitoras. Não me inspirei em ninguém especificamente. Cidinha foi uma empregada que minha mãe teve. Sou muito observadora e me favoreço dessa minha característica para criar os meus personagens.
RI Boa parte dos leitores de Chick Lit lêem mais livros estrangeiros que brasileiros, acha que isso se deve a algum tipo de preconceito com a literatura brasileira? Ou seria certa falta de divulgação?
LR Acredito que pelos dois motivos. O preconceito existe sim e o Novas Letras tem como objetivo quebrar todas as barreiras. Vejo também que as editoras não apóiam e não divulgam os novos autores, como eles de fato merecem. E esse fator conta muito, pois como vamos divulgar nossos trabalhos? As grandes editoras dominam os espaços nas livrarias. Então, quando um leitor entra numa livraria ele é “bombardeado” com livros estrangeiro (em sua maioria), por que os melhores espaços nas livrarias são reservados para eles.
RI Tem algum escritor ou escritora preferido (nacional e internacional)?
LR Eu gosto de vários. Meus colegas do Novas Letras escrevem muito bem. São livros com histórias incríveis e que recomendo como próxima leitura para todos.
RI Além da continuação tão esperada de “Pobre Não Tem Sorte”, tem outros projetos em mente?
LR Estou totalmente focada nos últimos preparativos para lançamento do PNTS 2 – alguma coisa acontece no meu coração. Mas já comecei esboçar meu terceiro livro, que vai ser totalmente diferente de PNTS. Também no estilo Chick-Lit.
RI Por fim, algum recado para seus leitores de plantão?
LR Quero agradecer a oportunidade e o apoio da revista em divulgar meu trabalho. E, também, gostaria de agradecer meus leitores por lerem! Sem vocês, nós, autores, não existimos.
Um beijo e muita luz para todos!
-Leila Rego


